Explicação de Apocalipse
21
Apocalipse 21
A Origem e Natureza da Cidade. 21:1-8.
1.Esta famosa descrição, igual à qual não
se encontra em nenhuma outra literatura do mundo antigo, começa com a
declaração de João de que ele viu um novo céu, e uma nova terra. São duas as
palavras gregas traduzidas para novo no N.T., neos e a que foi usada aqui,
kainos, sugerindo "vida nova brotando do velho mundo corrupto e
destroçado" (Swete). Portanto, esta passagem não ensina que os céus e a
terra estão sendo agora criados como da primeira vez, mas que possuem um novo
caráter. (Para outros usos da palavra veja Mt. 27:60; II Co. 5:17, etc., e
algumas excelentes observações sobre estas duas palavras gregas em Synonyms of
the New Testament, de R.C. Trench, págs. 219-225).
Quanto à
declaração de que não existirá mais o mar, ninguém interpretou esta afirmação
de maneira mais sensata do que o próprio Swete: "O mar pertencia à ordem
do que já passou. Desapareceu porque, na mente do escritor, está associado com
idéias que discordam com o caráter da Nova Criação. Pois esse elemento de
inquietação, esta causa frutífera de destruição e morte, este divisor de nações
e igrejas, não teria mais lugar em um mundo de vida sem morte e paz
ininterrupta".
2. Agora João descortina a cidade santa .
. . que descia do céu, da parte de Deus. Tal como a Jerusalém de antigamente
era chamada "a cidade santa", a nova Jerusalém também foi assim
designada; só que desta vez a palavra descreve realmente o verdadeiro caráter
da habitação dos redimidos. A santidade, grande atributo divino, tem sido o
alvo divinamente estipulado para o povo de Deus desde o princípio. É
significativo que nossa habitação eterna seja chamada de cidade, mesmo no V.T.
(Sl. 48:1, 8; Hb. 11:16).
C. Anderson
Scott, em um notável capítulo sobre este aspecto da habitação dos
bem-aventurados, disse com acerto:
"Uma cidade é em primeiro lugar a ambição e depois o desespero do homem . . . Os homens se orgulham de uma cidade; chamam-se segundo o seu nome; esquecem-se no seu poder e esplendor, e contudo nas mãos dos homens, a cidade se transforma em um monstro que devora seus filhos. Mal nos atrevemos a olhar para os montes dos despojos da humanidade desgastada cuja riqueza tem sido extraída, para a miséria e o vício em cima do qual a maior parte do seu conforto e esplendor repousam. Todo o nosso esforço, legislação, filantropia e religião, parecem falhar lamentavelmente na tentativa de resolver os males inseparavelmente relacionados com uma grande cidade. No entanto Deus prepara uma cidade para nós. O instinto de buscar uma vida em comum, de formar uma teia complicada de simpatia e dependência mútuas, que uma cidade representa, é afinal uma coisa verídica, e a oportunidade de se exercitar aquilo que é essencial tanto à verdadeira felicidade do homem quanto w pleno desenvolvimento dos seus poderes. 'Não é bom que o homem esteja só'; também não é bom que uma família esteja só, nem um grupo de famílias; e esta visão nos mostra 'um evento divino no longínquo futuro' realizado na vida corporativa da humanidade, em uma sociedade tão grande que nenhum dos filhos de Deus fica de fora, e no entanto tão compacta que poderia melhor ser descrita como a sociedade daqueles que habitam em uma única cidade" (The Book of Revelation, págs. 308-310).
Que a Cidade
Santa descia do céu parece implicar que não é idêntica ao céu. Aqui há uma
frase que tem sido desprezada com muita freqüência – ataviada como noiva adornada
para o seu esposo. Uma vez na vida a mulher tem o direito de ser extravagante,
uma vez ela se prepara com o máximo cuidado e se veste tão elegante, linda e
atraentemente quanto pode – no dia do seu casamento. Até as jovens que não são
particularmente belas ouvem o que se diz delas, quando caminham pela nave da
igreja em direção do altar para a cerimônia nupcial: "Como está
linda!" Assim como a noiva se enfeita para o seu marido, Deus vai adornar
e embelezar esta cidade para os Seus amados.
Todas as coisas
lindas que Deus tem criado neste mundo – pores-de-sol, montanhas, lagos, rosas,
lindas árvores, flocos de neve, nuvens e quedas de água! Qual não será a cidade
construída pelo Arquiteto Divino! (Veja também Jo. 14:2.) A cidade santa será a
cidade onde nenhuma mentira será pronunciada em centenas de milhares de anos,
nenhuma palavra torpe será dita, nenhum negócio escuso não será nem sequer
discutido, nenhuma figura imunda, jamais será vista, nenhuma espécie de
corrupção jamais será manifestada. Será santa porque todos os seus habitantes
serão santos.
3,4. Como em muitas outras passagens do
livro do Apocalipse, temos no versículo 3 a consumação e conclusão perfeitas do
grande tema – tabernaculando entre os homens. A palavra grega que aqui foi
traduzida para tabernáculo é à mesma da tradução grega das passagens do V.T.
descrevendo o Tabernáculo, onde também somos informados de que no Santo dos
Santos Deus se encontraria com o Seu povo (Lv. 26:11 e segs.). Esta é a palavra
em sua forma verbal que foi usada por João em sua inicial descrição da
Encarnação: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua
glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade"
(Jo. 1:14).
Desta vez o tabernáculo
permanece; desta vez não haverá separação entre Deus e o Seu povo, um fato que
parece que vai ser imediatamente introduzido (Ap. 21:3). Aqui, também, está a
certeza da eliminação dos cinco aspectos trágicos da vida humana: lágrimas,
morte, pranto, clamor e dor (v. 4). A Bíblia não nega a realidade da dor e da
morte, mas nos dá a certeza de que virá o dia, pela graça de Deus, quando, para
o crente, essas coisas não existirão mais.
5. Alguns têm sugerido que neste
versículo, pela primeira vez no Apocalipse, quem fala é o próprio Deus. Há
certamente grande significado no fato de que neste livro, mais do que em todos
os outros do N.T., a verdade do que foi revelado aqui está sendo enfatizada.
"Deus autentica Sua própria declaração magnífica. Ele exige nossa atenção,
e requer nossos corações e nossa aquiescência incondicional" (Walter
Scott, op. cit., pág. 404). Fiel e Verdadeiro, além de caracterizar a Palavra
escrita (e falada), também caracteriza a Palavra Encarnada (19:9; 21:5).
6,7. Novamente temos o título de Cristo, o
Alfa e o Ômega, que são a primeira e a última letra do alfabeto grego,
indicando que Cristo já era antes do universo que foi criado por Ele, e será
até o fim dos séculos, pois todas as coisas se consumarão nEle.
8. Chegamos agora a algo que realmente não
esperávamos encontrar na descrição da Cidade Santa, isto é, uma indicação das
categorias de pecadores que não estarão ali, mas antes se encontrarão no lago
que arde com fogo e enxofre. São palavras terríveis. Se aceitamos com
entusiasmo e ação de graças as promessas deste livro, temos também de crer em
suas solenes advertências. Lang chama a atenção para a frase, "sua
parte", comentando que "o coração pode desejar que a visão termine
nas radiosas alturas, mas, em vez disso, ela mergulha nas profundezas".
Uma Descrição da Cidade Santa. 21:9-23.
12-21. A Cidade tem doze portas, com o nome de
uma das doze tribos de Israel em cada uma delas, sendo cada porta guardada por
um anjo. A parede repousa sobre doze fundamentos, o que parece indicar doze
seções nos alicerces, e sobre cada uma delas o nome de um dos doze apóstolos. O
comprimento, largura e altura da cidade é de doze mil estádios ou seja, cerca
de 2.400 quilômetros.
Isto pareceria,
à primeira vista, o formato de um cubo, mas eu prefiro seguir a Simcox e muitos
outros, crendo que a estrutura era piramidal. A palavra traduzida para rua,
platéia, significa literalmente um lugar espaçoso; dessa palavra deriva a nossa
praça. Os muros são feitos de jaspe, a cidade é de ouro, as portas são pérolas,
e os alicerces são doze pedras preciosas. (Para um estudo da possível população
de uma cidade deste tamanho, veja o notável ensaio de F.W. Boreham, Wisps of
Wildfire, págs. 202-212).
J.N. Darby
raramente dizia que não sabia o significado de uma passagem das Escrituras, mas
em relação a estas pedras, ele escreveu lima vez: "A diferença das pedras
contém detalhes que estão acima do meu conhecimento" (Collected Writings,
Volume V, pág. 154).
"Se
compararmos as cores das pedras dos alicerces com as do arco- íris", diz
Govett (op. cit., in loco), "descobriremos, creio eu, uma semelhança
esquematizada, embora, por causa da nossa ignorância em relação às pedras
preciosas, não possamos chegar a nenhuma conclusão aproximada ou satisfatória.
As pedras,
então, com as suas cores, e os matizes do arco-íris, são os seguintes:
1. Jaspe,
verde? Amarelo?
2. Safira,
azul celeste.
3.
Calcedônia,talvez verde e azul.
O Arco-íris: 4.
Esmeralda, verde.
1 . Vermelho 5. Sárdio,
vermelha.
2. Laranja 6.
Sardônica, vermelha e branca.
3. Amarelo 7.
Crisólito, amarelo.
4. Verde 8.
Berilo, verde-mar.
5. Azul 9.
Topázio, amarelo.
6. Roxo 10.
Crisópraso, verde-dourado.
7. Violeta
(laca) 11.
Jacinto, violeta.
12.
Ametista, roxa.
22,23. João prossegue dizendo que a cidade não
tem templo, e que é tão brilhantemente iluminada pela glória de Deus que não
tem necessidade da luz do sol ou da lua, embora eles permaneçam brilhando.
"Uma vez que os homens aqui habitam sob as condições da vida terrena, não podem passar sem templos, o lugar, a hora, os pensamentos demarcados para Deus, o lugar onde aprendemos o segredo da percepção de Sua presença na vida, o tempo quando reclamamos e proclamamos a comunhão com Ele, os pensamentos que, com determinação, dirigimos para a manifestação do Seu amor em Cristo, e da Sua vontade no dever. Mas ali não haverá templo; pelo simples motivo de -que não é necessário. Aquilo que agora precisa ser separado do mundo e reservado para Deus – sim, e mantido com determinação e força de vontade contra as hostes invasoras – expandiu-se ali até cobrir todos os setores da experiência e atividade humanas. A presença de Deus já não precisa mais ser buscada; é conhecida; é sentida, universal e impregnando tudo como a luz do dia" (C. Anderson Scott, op. cit., in toco).
Nosso texto não
diz que não haverá sol ou luz na eternidade, mas que não precisaremos da luz do
sol e da lua, pois a própria glória de Deus vai iluminar a cidade. Assim como
precisamos de uma vela de noite, mas não ao meio-dia, quando o sol está
brilhando, assim precisamos do sol e da lua em nosso atual estado de
existência, mas não precisaremos mais deles na presença de Deus, que é a
verdadeira luz.
Aqueles Que Entrarão na Cidade. 21:24-27.
24-26. O
parágrafo que abrange estes três versículos é extremamente difícil de
interpretar. Quem são estas nações que andarão à luz da Cidade Santa, e quem
são os reis da terra que trarão sua glória para ela? Govett provavelmente está
certo ao dizer: “Por ‘reis da terra’ entendamos os reis das nações. Assim como
as nações foram agora transferidas para o novo mundo, também têm reis.
Subordinação à hierarquia é uma parte do esquema permanente de Deus para a
eternidade. Eles são chamados de ‘reis da terra’ para distingui-los dos reis da
cidade. Pois há duas categorias de reis: aqueles que foram feitos reis e sacerdotes
diante de Deus mediante o sangue de Jesus, que ressuscitaram dos mortos e
habitam com Deus; e aqueles que são homens na carne, e vivem entre as nações
fora da metrópole. Os cidadãos são reis dos reis e ‘reinarão para todo o
sempre’ (22:5). Os reis das nações, então, sentindo a sua inferioridade, e
desejosos de comparecer à presença de Deus e Seus servos ressuscitados, trazem
presentes”.
27. Aqui está uma das declarações mais
tranqüilizadoras, confortadoras e cheias de esperança de toda a Bíblia: entrarão
na cidade aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.
Dois fatores terríveis, inescapáveis, não permitem que homem algum entre na
Cidade Santa – o pecado e a morre. É o Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo e é o Filho de Deus que nos dá a vida em vez da morte. Estar inscrito no
Livro da Vida do Cordeiro é estar redimido pelo Cordeiro de Deus.
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