Introdução ao Livro de Apocalipse

Introdução ao Livro de Apocalipse


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I. Histórico. Por volta de 70 d.C., o apóstolo João assumiu o trabalho pastoral em Éfeso, o qual incluía as igrejas da região circunvizinha, às quais Apocalipse 2— 3 refere-se como as sete igrejas da Ásia Menor. Em Roma, Nero, imperador romano, iniciara a perseguição aos cristãos; contudo, ainda não se iniciara o "fogo ardente" de que Pedro fala em sua primeira carta (1 Pe 4:12ss). No entanto, Domiciano, quando se tornou imperador, intensificou a perseguição aos cristãos. Como ficará evidente nessas páginas da história, Domiciano era um assassino frio. Ele instituiu a adoração do imperador e começava suas proclamações com as palavras: "Nosso Senhor e Deus Domiciano ordena". Todas as pessoas tinham de se dirigir a ele como "Senhor e Deus". Ele era implacável na forma de tratar os gentios e os judeus, e, por ordem dele, João foi exilado na ilha de Patmos, uma ilha rochosa, localizada no mar Egeu, com 16 quilômetros de extensão e 9,6 quilômetros de largura. Nessa ilha, havia um campo penal romano em que os prisioneiros trabalhavam em minas. Nesse ponto isolado do mundo, João recebeu as visões que compõem Apocalipse. Ele as escreveu por volta de 95 d.C. Notas introdutórias 

II. Caráter. Apocalipse é um relato único, cujas características devem ser observadas. O texto de João é: 

A. Profético. É um relato de profecias (1:3; 10:11; 19:10; 22:7,10,18-19). 

B. Cristocêntrico. É a revelação de Jesus Cristo, não apenas um programa profético. Ele é Rei-Sacerdote ressuscitado (cap. 1); aquele que examina a igreja (caps. 2 e 3); que recebe adoração e louvor e o título de dono da cria­ ção (caps. 4 e 5); que julga o mundo e retorna em glória (caps. 6— 19); e que reina em glória e em poder (caps. 20— 22). 

C. Abertura. O sentido literal da palavra "apocalipse" é "revelação". Daniel recebeu a ordem de selar seu livro (Dn 12:4), e João, de não selar as palavras desse relato (22:10). Apocalipse é a revelação racional e ordenada de Cristo e de sua vitória final sobre Satanás, sobre o pecado e sobre o sistema mundano. 

D. Simbolismo. A frase "Deus lhe deu para mostrar" (1:1) sugere o uso de sinais e de símbolos na transmissão da mensagem. Alguns são explicados (1:20; 4:5), outros, não (4:4; 11:3), e explicam-se ainda outros por meio de referência com paralelos do Antigo Testamento (2:7,17,27-28). Esse simbolismo espiritual era claro para os cristãos que recebiam o relato, mas não para os perseguidores romanos. Tenha em mente que os símbolos referem-se a realidades. Por exemplo, a bandeira testemunha a existência de uma nação. Em 1:12-16, o retrato de Cristo não é literal; cada um desses símbolos transmite uma verdade espiritual sobre ele. 

E. Fundamento do Antigo Testamento. É impossível entender esse relato sem ligá-lo às Escrituras do Antigo Testamento. Dos 404 versículos de Apocalipse, 278 fazem referência ao Antigo Testamento. Calcula-se que Apocalipse faça mais de 500 referências ou alusões ao Antigo Testamento, sendo os livros mais citados Salmos, Daniel, Zacarias, Gênesis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Joel. 

F. Numérico. O relato apresenta várias séries de "setes": sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete taças, sete candeeiros, etc. Ele também menciona muitas vezes o número três e meio (11:2-3; 12:6; 13:5). Encontramos também 144.000 (múltiplo de 12) israelitas selados, 12 estrelas (12:1), 12 portas (21:12) e 12 fundamentos (21:14). 

G. Universal. Apocalipse foca o mundo todo. João vê "povos, nações, línguas e reis" (veja 10:11; 11:9; 1 7:1 5, etc.). Esse relato apresenta o julgamento do mundo por Deus e sua criação de um novo mundo para seu povo. 

H. Majestade. A partir do capítulo 4, esse é o relato do trono em que lemos a respeito do Rei e seu governo. O relato menciona 44 vezes a palavra "trono"; 37 vezes "rei", "reino" ou o verbo "reger"; e, cerca de 40 vezes, "poder" e "autoridade". Vemos Cristo como o Soberano do universo que governa de seu trono celestial. 

I. Solidário. Ao longo do relato, vemos o sofrimento do povo de Deus, e a compaixão do céu por este. João está no exílio (1:19); Antipas foi martirizado (2:13); a igreja de Esmirna enfrentará o aprisionamento de alguns membros (2:10); almas sob o altar clamam pelo julgamento vingador de Deus (6:9-10); aproxima-se a hora do julgamento (3:10); a mulher está embriagada com o sangue dos santos (1 7:6; 18:24; 1 9:2). Todavia, Deus julgará o mundo e salvará seu povo. /. Apogístico Apocalipse é o apogeu da Bíblia e mostra o cumprimento do plano e
dos propósitos de Deus para o universo. 

III. Interpretação. Estudiosos bons e piedosos discordam em relação ao significado de detalhes do relato. Há sugestão de quatro interpretações principais para o relato: 

A. Pretérita. (da palavra latina praeter, que significa "passado") Essa abordagem afirma que todo o relato aconteceu no século I. Os adeptos dessa interpretação dizem que João lida com a guerra entre Roma e a igreja. Ele escreve com a finalidade de encorajar e confortar os santos em seu momento de perseguição. No entanto, João afirma sete vezes que escreve profecias. Sem dúvida, o relato tem um valor especial para os que enfrentavam a perseguição romana, porém o valor dele não acaba com o fim da era apostólica. 

B. Histórica. Nessa perspectiva, os intérpretes afirmam ver o cumprimento da história da igreja na simbologia de Apocalipse. Eles crêem que o relato resume o curso da história do tempo apostólico até o fim das eras. Eles pesquisam livros de história a fim de achar eventos paralelos aos de Apocalipse; porém, às vezes, o resultado é desastroso. Um intérprete vê uma simbologia para Lutero e a Reforma que, para outro, representa a invenção da máquina de impressão! Qual seria a utilidade de Apocalipse para os crentes da época de João se apenas previsse a história do mundo? E qual seria o valor dele para nós hoje? 

C. Espiritual. Os estudiosos adeptos dessa interpretação abandonam totalmente o ponto de vista profético e vêem Apocalipse como uma apresentação simbólica do conflito entre Cristo e Satanás, o bem e o mal. Eles rejeitam a ideia de que João lide com eventos reais e afirmam que o livro trata apenas de princípios espirituais básicos. Mais uma vez, João afirma que escreve profecias. Temos de admitir que o relato lida com eventos reais que, um dia, acontecerão no mundo, embora reconheçamos que Apocalipse apresenta muitos princípios espirituais básicos de forma simbólica. 

D. Futurista. Essa escola enfatiza o caráter profético de Apocalipse; os capítulos 6 a 22 descrevem o cenário de eventos que terão lugar na terra e no céu após o arrebatamento da igreja. Esses estudiosos reconhecem, com alegria, as lições espirituais do relato, ao mesmo tempo que também admitem que fala de eventos reais que, um dia, serão cumpridos. Não interpretar Apocalipse como profecia faria com que Deus não tivesse dado à igreja, com o Novo Testamento, um livro que explica o futuro do mundo, o curso dos eventos, a vitória da igreja, o julgamento do pecado e o cumprimento das promessas e das profecias do Antigo Testamento. Isso é algo impensável. Não, Apocalipse é o relato que explica tudo isso, e merecem um prêmio por seu trabalho os estudiosos que, com reverência, abordam-no como uma profecia de eventos que acontecerão após o arrebatamento da igreja.
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