Explicação de Apocalipse 13

Explicação de Apocalipse 13
Explicação de Apocalipse 13

Apocalipse 13

O Aparecimento das Duas Bestas. 13:1-18.
1-10. Dois governantes terríveis entram em cena no capítulo 13, uma a emergir do mar, e o outro a emergir da terra. O mar aqui indubitavelmente é "um símbolo da superfície agitada da humanidade não regenerada, e especialmente da caldeira fervente da vida nacional e social da qual os grandes movimentos históricos do mundo se levantam" (Swete). A primeira besta, cujos chifres e diademas representam poder, recebe sua energia de Satanás (v. 2). É quase inacreditável que toda a terra venha a adorar o dragão e a besta (vs. 3, 4). Haverá muita religião na terra, mas será sem Deus e blasfema. A primeira besta se opõe a Deus (vs. 5,6); recebe sua energia de Satanás (v. 2,); é militarmente suprema (v. 4); possui poder de extensão mundial (v. 7); e persegue os santos de Deus (v. 7). Quem se atreveria a negar que o cenário da história universal está sendo rapidamente preparado por tendências que conduzirão finalmente ao governo e adoração de um tal monstro? Todos aqueles que não pertencem ao Cordeiro de Deus adorarão a besta.

11-15. Enquanto a primeira besta é sem dúvida um poder mundial político, a segunda (v. 11), como disse Lee, "é um poder mundial espiritual, o poder da ciência e do conhecimento, das idéias, do cultivo intelectual. Ambas são inferiores, ambas são bestas, e portanto estão em íntima afiança. A sabedoria anticristã secular está a serviço do poder anticristão mundano" (pág. 671). A segunda besta reforça as ordens da primeira, e acompanha sua obra perversa com várias formas de manifestações milagrosas (vs. 12,13). O período do "tempo dos gentios" começou com a adoração imposta de uma imagem por um poderoso governante (por Nabucodonosor, em Daniel 3); e este período terminará com uma semelhante adoração imposta, desta vez em escala universal.

16,17. O capítulo conclui com uma profecia do que poderia ser chamado de ditadura econômica. O texto não diz que os homens não poderão comer se não tiverem a marca... da besta, mas não poderão negociar sem esse sinal.

18. O versículo que conclui este capítulo, no qual o número da besta é revelado como 666, tem dado lugar a uma multidão de interpretações, e a vasta literatura. Livros inteiros têm sido escritos sobre este único texto. Lutero errou em pensar que fosse uma declaração cronológica. Acrescentando 666 ao ano 1000 ele obteve naturalmente, como resultado 1666 A.D., ano em que nada de significância profética aconteceu. Muitos têm tentado identificar esta pessoa descobrindo nomes cuja soma numérica das letras perfaz 666. Em nossa língua por exemplo, X é igual a 10, L igual a 50 e C igual a 100. Há equivalentes semelhantes para as letras no hebraico, grego e latim. Alguns têm crido, então, que este número assim traduzido refere-se a Nero, o César do primeiro século; outros como Lateinos, significando, "o Latino". Acho que não precisamos ir mais adiante do que reconhecer que seis é o número do homem decaído e portanto o número da imperfeição, e que 666 é a trindade do seis.

Até mesmo nesta passagem há uma trindade demoníaca – Satanás, a besta a emergir da terra (Anticristo, v. 11) e a besta a emergir do mar (o falso profeta, v. 1). (Para uma comparação das diversas interpretações dessas duas bestas, veja Charles Maitland: The Apostles' School of Prophetic Interpretation [Londres, 1849] pág. 329.)

Torrance diz acertadamente: "Não vemos hoje em dia que esta imagem já está sendo edificada, em nação após nação na terra, pelo poder da propaganda e com mentiras?.... Já não ouvimos a voz rouca da besta clamando e gritando no rádio? não temos lido suas vanglórias e ameaças nas páginas da imprensa mundial?... Tudo o que pode ser feito sem Jesus Cristo é um caminho para a incredulidade, é dar forma à maldade, ao orgulho e ao egoísmo humanos... O tempo todo o mal latente no mundo está estabelecendo sua imagem e deixando suas impressões sobre as pessoas e mentes e atos dos homens" (op. cit., pág. 86-89).

Observe que estes dois governantes mundiais são designados bestas. Nicholas Berdyaev, o filósofo russo, escrevendo sobre a bestialidade do homem moderno, diz:


"O movimento em prol da super-humanidade, do super-homem, e dos poderes sobre-humanos, com muita freqüência nada mais são que a bestialização do homem. O moderno anti-humanismo toma a forma do bestialismo. Usa o trágico e infeliz Nietzsche como uma espécie superior de justificação para a desumanização e bestialização . . . Uma crueldade bestial para com o homem é a característica de nosso século, e torna-se mais estarrecedor por se exibir no cume do refinamento humano, onde os conceitos modernos de simpatia, ao que parece, tomaram impossíveis as antigas formas bárbaras da crueldade. O bestialismo é figo inteiramente diferente do barbarismo antigo, natural e sadio; é o barbarismo dentro de uma civilização refinada. Aqui os instintos atávicos e bárbaros são filtrados através do prisma da civilização e portanto têm um caráter patológico. O bestialismo é um fenômeno do mundo humano, mas já civilizado" (The Fate of Man in the Modern World, pág. 26-29. Para uma discussão completa deste capítulo, veja meu livro, This Atomic Age and the Word of God, págs. 193-221).


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